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Estamos elitizando a cerveja

Como eventos e produções cervejeiras tem causado uma restrição de acesso a apenas grupos seletos de pessoas.

Nossa origem sempre foi democrática

A cerveja em grande parte da sua história sempre esteve ligada a classe trabalhadora, onde era um bem popular e de acesso a todos. Suas origens remontam isso.

No antigo Egito, os trabalhadores tinham seus salários como pão e cerveja. Sua popularidade ia dos faraós aos escravos, era uma bebida democrática, universal.

Nos campos durante a colheita, os camponeses eram muitas vezes recompensados com cervejas refrescantes e saborosas, como a Saison, a bebida dos saisonniers, eram trabalhadores rurais que ajudavam na colheita no verão. Sua sazonalidade é uma referência direta ao nome do estilo.

Durante as revoluções industriais na Inglaterra, uma cerveja se destacava, as Porters, que além de ser um símbolo desse período também alimentava e saciava os estivadores e trabalhadores dos portos de Londres, por isso o nome.

Das cervejas de abadia que serviam não só para os monges, até as aleswife que recebiam viajantes , transeuntes com suas Ales que passavam e só queriam um espaço para descansar o corpo e a alma da longa viagem. As cervejas sempre sustentaram a alma de todos aqueles que a ela procuravam.

Caneca de Cerveja

As cervejas de massa

Então veio a massificação das cervejas no século XX, líquidos com mais sabores deram lugar as american lagers, com seus aromas e sabores raso a semi-raso servidas estupidamente geladas para cobrir seus defeitos e amortecendo as papilas gustativas. Tudo parecia perdido.

A revolução cervejeira, uma esperança de alcançar todos

Logo veio a revolução cervejeira puxada principalmente pelos americanos com influência direta dos ingleses, parecia que nós, meros mortais, teríamos finalmente acesso a incontáveis gostos e aromas. E aconteceu, nas mesas começaram a chegar uma diversidade de estilos de cerveja que facilmente foram acessados por diversas pessoas, porém essa diversidade começou a ter um custo mais elevado, as cervejas artesanais que deveriam seguir o fluxo de uma revolução para disseminar seus sabores e aromas a todos, foi ficando segregado a um pequeno grupo, a uma pequena fatia da sociedade.

Chegamos ao ponto de criarem festas de camarotes com cervejas exclusivas. Sim, todo o mercado tem seus nichos. Mas nicho do nicho, do nicho beira a ser seletivo ao extremo onde deveríamos estar fazendo ao contrário, expandindo, fazer chegar a voz ou melhor, todos esses sabores nas bocas de todas as pessoas.

Vitrine Cervejeira

Enquanto que a Cerveja vira nicho, drinks viram de massa

E a realidade está aí, as cervejas têm se afastado das grandes populações, ficando restrito muitas vezes, na sua maioria em espaços exclusivamente cervejeiros, tá aí os drinks que não me deixam mentir sozinho, dando um pialo (rasteira) bonito nas cervejas e virando a nova tendência, invadindo todas as camadas sociais, coisa que deveria ser a cerveja artesanal e sua revolução que deveriam ter feito. Sim, houve um boom, mas ele foi se acomodando no seu pequeno nicho e se afastando da população em geral e do meio gastronômico.

Nós não conseguimos formar um público, uma cultura que viesse para essa nossa bandeira cervejeira. Não conseguimos dar acesso a estilos que podem cair no gosto das pessoas, desmistificando a ideia de que cerveja tem que ser amarela, translúcida e trincando para um grande público.

Precisamos formar pessoas que gostem de cerveja pelo hábito de apenas gostar

Quantas pessoas dizem que não gostam de cerveja? Você deve conhecer algumas, mas já se perguntou de qual cerveja ela está falando? Se você é profissional da cerveja tem que levar o máximo de informações para o máximo de pessoas. Se você bebe cerveja, entrou nessa de alguma forma, torne isso conhecido das pessoas que te cercam, façam a cerveja, a revolução cervejeira ser realmente uma revolução e não uma revolução de uma pequena classe social ou grupo de pessoas. Pois daqui a pouco estaremos, como profissionais do meio, os retroalimentando para poder continuar com uma fatia no mercado.

Precisamos sair da bolha, democratizar o acesso a cerveja, desenvolvendo cultura para fora do nosso meio, para espaços e lugares onde é impensável beber cerveja além das rasas. É propor uma mudança de comportamento não só para a população em geral, mas se incomodar com o fato de não estarmos ampliando essa revolução de sabores e aromas.

Brinde com cervejas

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