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Eu vejo o futuro repetir o passado: Como Cazuza explica o mercado de bebidas

Como diria Cazuza em O Tempo não Para – “Eu vejo o futuro repetir o passado”, a história mostra que novas bebidas chegam ao mercado e conquistam novos fãs, em muitos casos acabam puxando para si os apaixonados de outras bebidas. O que está acontecendo hoje em dia já aconteceu em outros momentos da história.

O mercado é dinâmico, ele consegue ser acessível para os públicos em diferentes períodos da história, as bebidas se adaptaram ao paladar de sua época.

Na história, passamos por diversas revoluções e períodos marcados por novas bebidas. A civilização foi construída a partir de hidromel e cerveja. O homem deixa de ser nômade e coletor de alimentos para começar a cultivar cereais como cevada e trigo e tornar-se sedentário.

Os primeiros registros da escrita humana relatam o pagamento de serviços com cerveja na antiga Suméria. No Código de Hamurabi, primeiro código de leis conhecido pelo homem, havia regras para a produção de cerveja. Naquela época a cerveja era a moeda de troca de uma economia em desenvolvimento.

O nascimento da Era do Vinho

Consumo de Vinho

Ainda na antiga Mesopotâmia o cultivo da uva para transformá-la em vinho era muito alto, a bebida ficou vinculada aos mais ricos por muito tempo. Isso fica evidente no governo de Nabonido, governante do Império Neobabilônico, que tornou o vinho abundante em seu reinado. O custo de um jarro importado de vinho (aproximadamente 24 garrafas nas medidas atuais), custavam um siclo de prata (o salário-mínimo da época).

O vinho tinha alto custo, mas, o povo começou a popularizar o vinho feito da tamareira, uma bebida feita a base do xarope de tâmaras, fruta cultiva ao sul da Mesopotâmia, fator foi importante para deixar a bebida apenas um pouco mais cara que a cerveja, deste modo, o vinho da tamareira roubou o posto de bebida mais culta e civilizada entre as bebidas, assim começou a Era do Vinho.

A popularidade do vinho se fortaleceu no Império Romano, quando dominou a Grécia Antiga, local do melhor vinho e maior exportador de vinho da época. A invasão fez Roma adquirir as técnicas de produção e as mudas necessárias para começar a plantar uvas de qualidade para a produção do vinho.

O vinho representava para os romanos o lugar de onde vieram e naquilo que se transformaram. O poder militar de uma cultura fundada por agricultores que trabalhavam incansavelmente e eram simbolizados pelo símbolo do Centurião Romano: uma vara cortada de madeira retirada de uma videira nova.

Marco Célio - Centurião Romano com sua arma feita a partir da videira
Marco Célio – Centurião Romano com sua arma feita a partir da videira

O Fim do domínio dos fermentados

No primeiro milênio cristão, Córdoba era a maior e mais culta cidade da Europa, local que atualmente corresponde ao sul da Espanha, cidade dominada pela cultura árabe.

Com a sabedoria grega perdendo o prestígio na Europa, os árabes tinham em sua base de estudos o conhecimento adquirido por gregos, indianos e persas.

Entre as diversas realizações do povo árabe, eles foram os responsáveis por aprimorar uma técnica que deu origem às bebidas destiladas. Quando o processo foi espalhado pela Europa cristã que a destilação foi utilizada para criar bebidas alcoólicas socializadoras.

Os destilados tornaram-se a bebida principal das explorações europeias e moedas de troca no tráfico de escravos. Os traficantes de escravos tinham preferência por receber conhaque ou vinhos de maior potência alcoólica para durarem as longas viagens.

Durante a colonização das Américas, Barbados teve fundamental importância para a economia global. O rumbulião começou a ganhar fama, feito a partir da cana-de-açúcar destilada. Rumbulião era uma gíria inglesa para briga, algo que acontecia com frequência com aqueles que consumiam a bebida. A bebida ficou conhecida como Rum e foi difundida pelo Caribe, sendo a preferida da Marinha Real no Caribe e ganhando força pela Europa colonizadora.

Garrafas de Rum

A coquetelaria que salvou milhares

O Almirante Edward Vernon ordenou que o rum fosse misturado com água, suco de limão e açúcar para deixar mais agradável. O coquetel primitivo recebeu o nome com base no apelido de Vernon, “velho gorgorão”, porque usava um casaco feito de gorgorão. Sua nova bebida ficou conhecida como grogue.

Por conta do grogue a marinha britânica diminuiu seu sofrimento e perda de soldados por causa do escorbuto, doença provocada por falta de vitamina C. Com a ingestão da mistura da bebida com suco de limão, diversos militares foram salvos, algo que popularizou ainda mais o coquetel.

As bebidas Low BV chegam ao mercado

Atualmente a cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no mundo, no entanto, alguns “concorrentes” começam a ganhar espaço no mercado de bebidas, as bebidas “low bv”.

Os drinques estão sendo adaptados para serem mais leves de sabor e teor alcoólico, além disso, o preço de venda está ficando cada vez mais próximo do preço praticado pelo mercado cervejeiro, hoje a diferença de preços ainda se deve a dificuldade de produção em grande quantidade e a alta tributação dos coquetéis a base de destilados.

As Kombuchas e Hard Seltzers acabam pegando uma geração que não busca o consumo exagerado de álcool, que acredita no consumo consciente de produtos menos industrializados.

De encontro a isso, os novos coquetéis estão com a diversidade que a geração atual pede, a necessidade de conexão com tudo aquilo que consomem aparenta estar mais presente nas bebidas atuais.

Bebidas Alternativas em lata

O Mercado de Bebidas atualmente

As novas bebidas enlatadas são ecologicamente mais sustentáveis que as bebidas em vidro, estão com baixa caloria e menor teor alcoólico, muitos estão usando ingredientes naturais e menos conservantes, além de menores índices de açúcar, o preço está competitivo e o marketing das empresas mostra que a bebida é para todos os gêneros e idades.

Estamos vendo novos produtores de bebidas artesanais, focados nos ingredientes, no baixo teor alcoólico e no baixo teor de calorias e açucares.

Será essa a nova onda de transformação do mercado de bebidas? Os coquetéis ganharam força e estão com o custo acessível para chegar a população mais carente e atender sua demanda por bebidas de qualidade. As bebidas se adaptam para atingir os públicos preocupados com saúde e meio ambiente, criando cervejas sem álcool, cerveja lowcarb, kombucha e hard seltzers.

A instabilidade na saúde, na economia mundial, no clima e na política fizeram a indústria de bebidas mudar vários conceitos e se adaptar a demanda atual, criando novas bebidas para o novo consumidor, mas, assim como já foi feito anteriormente ao longo da história, a cerveja sempre volta a ser o carro chefe do mercado de bebidas.

Será que essa geração de consumo “Low bv” irá destronar o consumo majoritário das cervejas? Será que a cerveja também irá se tornar algo Cringe e ficará para trás? Teremos de aguardar os próximos 20 anos para ver qual será a “nova onda”.

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