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Ser Sommelier

Quando me deparo com o trabalho de sommelier, também começo a perceber o quanto é, muitas vezes, incompreendido o meu trabalho e minha função.

Não sei ao certo, talvez pela glamourização da cerveja artesanal, dos copos em riste, das fotos bem marcadas, das imagens infinitas dos recebidos que inundam as redes sociais, sem vida, sem uma experiência. Muitas vezes apenas mostrando uma foto aleatória de um recebido e copiando e colando o que está no rótulo da cerveja, sem uma interação melhor com ela, sem uma percepção mais apurada.

Perco as vezes que vejo muitos orgulhosos mostrando seus diplomas de sommeliers, mas que no fundamental usam apenas para engajar mais seguidores, pois agora é uma “autoridade”. Mal sabe que se não utilizar seu trabalho para o serviço de nada adiantou seu diploma, você é somente um entusiasta com diploma e nada mais.

Servir, servir e servir

O último texto que me lembro ter lido e que trata sobre isso, vem do Guia da Sommelieria, organizado pela Bia Amorin, com o prefácio escrito por Cilene Saorin, uma autoridade no assunto, ela trata justamente da principal função de sommelier: Servir! Tanto que ela cita “Sommeliers devem ser gente para servir gente”.

E aí entram diversas questões: Precisa gostar de gente, compreendendo a extensão e a cultura representativa da cerveja.

Quando se estuda sobre aromas, sabores, quando ficamos horas degustando cervejas e seus off-flavor, montando cartas de cervejas, praticando troca de barris, cilindros ou verificando validade de cerveja. Tudo isso é apenas para que você, como sommelier, possa fazer um bom serviço.

Não se estuda insumos por acaso, se estuda malte, lúpulo, levedura, água, especiarias para ter uma percepção de como as estruturas vão se comportar em determinada cerveja e quando chegar a hora de servir, poder contribuir significativamente para quando for servir, o sommelier deve saber apresentar isso de forma correta.

Resumo da ópera: Você, como sommelier tem que saber tudo para que no ato final, você consiga entregar um serviço memorável para quem precisar.

Para os outros e não para si

Sommelier trabalha em prol dos outros e não para si. Sua opinião, suas ideias a respeito de determinada cerveja são importantes para si, e se contribuírem para a experiência dos eu cliente, tudo bem, caso contrário o silêncio é a melhor saída.

Temos que ser empáticos, perceber a “dor” do outro e com isso estender a mão num serviço que entrega aquilo que seu cliente quer, não o que você quer. As opiniões pessoais pouco ajudam aqui, mas conhecimento sim.

Sommelier é um condutor

Na minha opinião, sommelier não influencia. Ele conduz o cliente a uma experiência que o próprio cliente está procurando e não a experiência que o sommelier está querendo.

Então nesse propósito, ele é um condutor por uma viagem, por um experiência que o cliente busca. Você não vai dizer onde está o Santo Graal. Você vai conduzi-lo para que ele próprio compreenda o quão incrível essa jornada pode ser.

Perceberam a diferença? Influenciadores, influenciam, fazem propaganda do produto.

Sommelier conduz para uma jornada sensorial por meio dos caminhos de aromas e sabores. Essa condução pode levar a várias esferas, mas ela não está aliada ao consumo ali pronto do pegue e pague. Está aliada a como essa condução vai ser realizada por meio de todo o material intelectual e físico, todo o conhecimento que, nós sommeliers temos a entregar.

Por fim, mas não terminado

Quando pensei sobre esse texto, muito me veio a cabeça e principalmente para compreender nossa função e como podemos ser vistos. Não é fácil, num mundo tão cheio de vaidades, egos, dizer para um profissional que ser sommelier não é glamour. É servir, servir ao próximo, despretensiosamente, fazer que seu serviço seja sentido, percebido e até palpável.

Ah, e outra coisa muito importante, depois de formado como sommelier, você não tem nada, se não souber usar com inteligência tudo que sabe, para isso é preciso estudar mais, saber mais, um diploma não te faz nada se você apenas atualizar seus status na sua rede social.

Dizer, não é fazer. Então, sempre digo para mim: “não pare, jamais pare”.

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