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Um estilo, uma relíquia.

Foi na década de 1840 que, graças à popularidade das Porters e depois das Pale Ales, as cervejas artesanais deram um grande salto de consumo e qualidade. Portanto, o envelhecimento e maturação de alguns estilos de cervejas não era mais uma novidade àquela altura do campeonato, e foi nessa mesma época que surgiu o termo “Old Ale” para descrever exatamente o mesmo tipo de cerveja que era conhecida como “vinho de malte” nos séculos anteriores.

Ao se falar dos mais diversos estilos de cervejas inglesas, logo vem à mente aquelas da família Ale, ou seja, bebidas complexas, condimentadas, de muita originalidade. Essa tradição da Escola Britânica, infelizmente, muitas vezes é deixada para escanteio aqui no Brasil, mas que oferece cervejas únicas, equilibradas e extremamente agradáveis.

Os cervejeiros ingleses tinham todo um “esquema” e investiam boa parte do tempo no processo de guarda, estocando as bebidas nos fundos das cervejarias para a maturação e depois vendê-las por valores altíssimos, afinal eram brejas exclusivas e muito cobiçadas. Infelizmente, a prática atual de produção envolve um tempo de envelhecimento menor, mas que ainda é significativo para dar complexidade à cerveja.

E por falar em complexidade, vale mencionar que durante algum tempo Old Ale e Barley Wine foram praticamente “carne e unha”. Contudo, no decorrer do último século, acabaram se desentendendo por motivos de caprichos involuntários ou até mesmo um cambalacho dos marqueteiros, e é por isso que “Old Ale” atualmente acaba por ser encarado mais como um termo genérico do que um estilo propriamente dito.

E as características?

Ao degustar cervejas desse estilo você notará que a carbonatação é baixa e, mesmo sendo envelhecidas em barris, elas não adquirem as características sensoriais da madeira, mas sim uma oxidação que pode remeter a xerez (um tipo de vinho branco tradicional na Espanha). É possível sentir também o aquecimento do álcool e leve amargor que está presente apenas para equilibrar a doçura da cerveja.

A Old Ale é um estilo fiel ao envelhecimento pelo qual ela passa, independente do tempo que permaneça nos barris de madeira. Quanto mais tempo ela permanece nessa maturação, mais sabores diferentes ela irá absorver e mais experiência sensorial você terá ao degustá-la. É devido a esse método de maturação que a acidez do estilo é bem perceptível, mas sem exageros, uma vez que essa ação se dá também devido a agentes láticos ou da Brettanomyces, que é uma espécie de levedura usada em brejas ácidas, como as cervejas da família Lambic.

Exemplos comerciais:

Fuller’s Vintage Ale da cervejaria: Griffin Brewery (Londres).

Strong Suffolk da cervejaria: Greene King (Bury St Edmunds).

Old Fashioned da cervejaria: Brooklyn Brewery (EUA).

Old Strong Ale da cervejaria: Leopoldina (Brasil).

Ola Dubh da cervejaria: Harviestoun (Escócia).

1 comentário em “Um estilo, uma relíquia.”

  1. Pingback: A História das Cervejas Inglesas – Cerveja em Foco

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