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A nossa cultura cervejeira é americana e não alemã

Como a cultura cervejeira brasileira foi influenciada pela americana e não pela alemã como muitos costumam pensar

Dos Holandeses aos Ingleses

Nossa história cervejeira tem origens com os holandeses na onda das Companhias das Índias Orientais. Dizem que Maurício de Nassau chegou trazendo cervejas e equipamentos para se instalar aqui. Como Portugal precisava escoar seus vinhos e a cultura da cachaça era popular no país o empreendimento logo caiu por terra.

A mudança veio com o comércio intenso entre Portugal e a Inglaterra, desembarcando por aqui as Ales Inglesas, logo tornarem-se populares e dominarem o comércio . O próprio Dom João VI pessoalmente tinha uma grande predileção pela cerveja. 

Os imigrantes

Então vieram os imigrantes e assim como nos EUA, tiveram que se adaptar com os insumos e cereais que aqui dispunham, pois o malte em determinado ponto não era tão acessível assim, sendo por conta dos altos preços, sendo por conta dos períodos de guerra. Os alemães que aqui chegaram praticamente eram pré-Reinheitsgebot, que até então era restrito apenas à Baviera, adaptando-se facilmente a não utilização de maltes.

EUA potência mundial

Logo a influência americana torna-se não só cultural, mas econômica. Sua influência chega as cervejarias brasileiras que começam a produzir largamente as conhecidas American Lagers que vão dominar o consumo brasileiro por décadas e que até hoje são as cervejas mais consumidas no país.

American Lager não são Alemãs

Copo de Cerveja American Lager

A grande influência cultural e econômica americana com as consequências das revoluções industriais criaram uma massificação de sabores no paladar brasileiro muito semelhante ao que acontecia nos EUA, mas diferente de lá, não passamos por uma lei seca e uma campanha tão feroz contra o consumo de álcool, é pura e simples influência.

Então vieram e se consolidaram as cervejas “tipo pilsen” mas que no fundamental eram, em sua origem de estilo american lagers ou american light lager. Companhias cervejas como Skol, Antártica e Brahma não tinham diferença nenhuma em sua composição a não ser um bom marketing de produto.
Aliás, foi isso que dominou quase todo o século XX em nosso país: O marketing. Não era o cervejeiro que determinava a receita mais sim quem detinha a propaganda para visar venda em massa. Todas as cervejas eram basicamente as mesmas, do mesmo estilo, só mudava a marca, e seu slogan. E foi assim por muito tempo até que…

A Revolução Cervejeira Americana

Sim, eles foram influenciados com o movimento do CAMRA, que era um resgate das Real Ale inglesas que estavam perdendo no mercado contra as lagers, em especial as american lagers. Com o crescimento e domínio econômico americano após a segunda guerra mundial, os estilos americanos dominaram o mercado mundial e sim, influenciaram decididamente aqui no país.
Mas esses mesmos americanos, ou melhor, outros que tinham visão diferente desencadearam um movimento crafbeer que revolucionou o mercado mundial. Por mais que os americanos foram responsáveis pela massificação do paladar também vieram deles toda uma disruptura contra essa massificação.
Graças a esse movimento começou a chegar a nós estilos nunca antes conhecido. Mais, eles resgataram estilos praticamente mortos, como as India Pale Ale que veio a se tornar um ícone dessa revolução.

Então…

Portanto, diante de todas a influência cultural e econômica do EUA ao longo de décadas e até séculos, é inevitável que nossa cultura cervejeira seja americana. São muitas interfaces que fazem com que nós sejamos influenciados de diversas formas por eles.
Basta saber se vamos conseguir construir um cenário cervejeiro próprio. Propor novos estilos como aconteceu com a Catharina Sour (primeiro estilo brasileiro reconhecido com frutas tipicamente regionais).
O cenário que se avoluma é de muitas expectativas e diante disso só nos resta torcer para que possamos ver nas nossas cervejas mais com a nossa carda, o nosso jeito e nossa identidade, um identidade que mostre a nossa riqueza de frutas, grãos, temperos, leveduras e toda essa diversidade representada, mostrada numa das maiores paixões nacionais que é a cerveja. 

2 comentários em “A nossa cultura cervejeira é americana e não alemã”

  1. Pingback: Escola e estilos brasileiros de cerveja. Será? – Cerveja em Foco

  2. Pingback: Como melhoramos uma gastronomia sem cerveja? – Cerveja em Foco

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